domingo, 20 de maio de 2012
NÃO SOU SEGURO, NEM GOSTO DE COELHO
terça-feira, 7 de junho de 2011
Cadernos de Hoje: DO GÉNIO (GÉNERO) MASCULINO

Redondos os dias
Estranhas as noites.
Bicudo o homem
Pensando que é dia,
Ao entrar no céu
No sono da noite.
terça-feira, 31 de maio de 2011
A RENDIÇÃO...

Nesse desarranjo Senhor, de vestes tímidas de encharcar em nudez, olhamos-te na procura de ideais ou quimeras que sustentem a nossa/tua vontade.
Criaste-nos assim à tua imagem e por isso te tentamos seguir literalmente, mas apenas te conseguimos ocasionalmente, por a tanto nos teres ensinado e talvez por isso em sinal de compaixão, te redimes? Prostrado apesar de altivo e escangalhado na cruz, como rei que nu se expõe à saciedade como tal, calas-te e deixas que apregoemos a vida como se ela nos pertencesse? Mas ela não nos pertence e tu sabes bem disso, melhor que ninguém…
Não ouves o clamor dos incautos?
Não segues os ais dos pais, dos filhos e dos que não são pais nem filhos e mesmo de espíritos que podendo ser santos como tu, como outros homens têm sido, te esperam venerar por obras que cubram de vestes brancas, símbolo da pureza, a dignidade humana?
Acaso te rendes como aqui és, à impiedade dos sofistas a que chamarei políticos, que te despem impiedosamente, despindo-nos a todos nós, subvertendo a capacidade de em ti acreditarmos?
Acaso remetes a nossa existência para as futuras calendas, em que os idos dias de cada mês se transformem e narrem o restolho humano, cujos cadáveres subjazem como símbolos ou troféus daqueles que te amedrontam assim e submetem, e que a nós nem falar???...
Homem, Senhor, ou mesmo «é pá!...» vê lá onde é que nos meteste e interfere educadamente junto do Pai, como é de tradição fazer, se é que ela ( a tradição) ainda se adequa e deixa-te de merdas, porque isto está a ficar sem condições para que a fé tenha lugar na vida dos homens, conscientes de que só através dela (da fé) poderemos continuar a ser o teu rebanho.
E despacha-te porque as eleições são já a 5 de Junho do corrente…
Obrigado pelo sinal
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Cadernos de Hoje: DO GÉNIO (GÉNERO) FEMININO

Ainda a manhã não era dita
Pelos homens que fazem os dias
Já de tamanho grande era a esperança
Ao acordar, da mulher que se erguia.
Tamancas nos pés de veludo
Olhar no infinito sisudo
Gestos certeiros em tudo,
Vai ao encontro do homem
que faz os dias, confuso.
Debate-se, é doce, que candura…
Até perfeita seria ela, na bruma
Que a envolve na direção do vento,
Se a lua fosse terrena e sua
Se o homem fosse casto e seu
sexta-feira, 22 de abril de 2011
INTERMITÊNCIAS

Essa diluição em grande parte é justificada por aquilo a que chamo o crescimento dos alunos, que nas suas diferentes fases de formação/crescimento, deixam de precisar da rigidez da postura do mestre. Não precisam nem é necessária, porque esse professor passa a estar perante uma pessoa em formação integral. E digo integral, na medida do seu não distanciamento a tudo que acontece fora do recinto escolar.
Direi que tenho sido sempre para os meus alunos, jovens, adultos e para aqueles que estiveram sujeitos aos condicionalismos do sistema prisional, atento à sua disponibilidade para aprender, mas sobretudo para que descubram o espaço da sala de aula, do recinto exterior à sala de aula, do ambiente social, da intervenção cívica etc.
Direi a este respeito, que é com mágoa, que verifico que professores no auge da sua maturidade, quando podem dar mais e melhor à Escola, são confrontados com a necessidade da aposentação, face à desconformidade das condições que permitam a sua continuidade na Escola em condições especiais, estatuto em que me enquadrarei brevemente, mas enfim…
Eis todavia, que há cerca de 3 anos alguém me falou da Universidade Sénior, como espaço de partilha de saberes, promovida pela Fundação Eugénio de Almeida. Fui até lá e inscrevi-me.
Fiz o meu acesso como docente, não sem que o fizesse com algum receio, na medida da expectativa que criei acerca da expectativa que os alunos daquela Universidade teriam sobre o meu tipo de «ensino». A minha proposta foi intencionalmente desajustada dos preceitos da Academia, muitas vezes redutora na sua prática universitária, consequentemente pouco universal. Por outro lado, procuro que seja necessariamente abrangente como um mar de emoções entre pessoas que se diluíssem naquela prática partilhada.
Entrei prosseguindo a minha área de formação, a partir das Ciências Sociais e Humanas, sem que a História, a Geografia, a Filosofia, a Psicologia, a Economia etc, deixassem de ser a alma desse espaço de reflexão, contrariando assim o que erradamente se entende ser a ciência pura aplicada às Ciências Sociais e Humanas, limitada que é muitas vezes, à utilização dos métodos quantitativos.
A prática do Sujeito, naquelas reuniões a que se chamam aulas, em que cada um de nós intervém com a sua experiência, sabedoria empírica ou científica, na descoberta ou confirmação de Verdades que nunca se querem absolutas, tem sido para mim de uma riqueza que não dispensa um aplauso a todos quantos participam nesta actividade .
A sensação com que ficamos, no fim de cada reunião semanal, é a de que tínhamos na ponta da língua tudo aquilo de que falamos durante aquela hora, e que não conseguimos dizer a ninguém, só porque ninguém estava perto de nós, quando quisemos partilhar aquele pensamento.
Afinal, tem sido assim na minha actividade docente fora da Universidade Sénior, com os meus alunos e passou a ser agora com os meus amigos seniores.
A descoberta da Verdade, através de um pequeno empurrão que damos uns aos outros, num acto de enorme solidariedade, que tanta falta faz nos tempos que correm.
Na descoberta dessa Verdade todos somos simultaneamente Sujeito e Objecto sem nunca esquecermos que a generosidade e a gratidão constituem a síntese muitas vezes feita de confronto entre os interesses aparentemente antagónicos.E eis as mentalidades.
Participar com a Universidade Sénior e sua coordenação, com os meus companheiros de «conspiração académica» tem sido para mim um prazer que pretendo continuar e divulgar.
Parabéns a todos
domingo, 27 de março de 2011
Quando o sol se põe...
Tão perto da eternidade lá junto ao sol
Que imagino ser da cor da felicidade
Deboto as emoções na claridade
Colhendo a luz da saudade
De tempos que lá não vivi
E que imagino claros
Como os olhos
Que nunca vi
sábado, 19 de março de 2011
VAMOS A ISTO...
Ligo a televisão depois de jantar porque é meu hábito ouvir notícias do meu país.O país onde nasci.
Depois penso:
Porque a vida que vivemos é preenchida por acontecimentos em que, umas vezes somos Sujeito, outras Objecto, e fazendo até um esforço de modo a relativizar o determinismo politico, que há quem diga, subverte a liberdade dos governados,dou comigo a estranhar algumas das tais notícias que é habitual serem divulgadas nas horas de maior audiência.
Uma delas trouxe-me para o computador a escrever isto e dizia o seguinte:
«O povo português vai ser chamado a votar em Maio ou Junho…»
Independentemente da razão (causa) que justifica a afirmação da jornalista, que me levaria a corromper este meu espaço de reflexão apolítica, se a ela me referisse, prefiro indignar-me apenas, com a frase que coloquei entre parênteses.
Então não é que tenho andado a massacrar a cabeça dos meus alunos com a história dos gregos, do glorioso principio da nossa civilização, da democracia, da filosofia, da história, abordadas no ponto de vista científico, porque de outra forma não faria sentido e de repente, entro na sala, qual Ágora de todos os ensinamentos, onde a televisão assume um papel fulcral e oiço uma coisa daquelas?
«O povo português vai ser chamado a votar em Maio ou Junho…»?????
Então mas afinal não cabe ao povo tal como foi concebido, ainda em tempo de factores condicionantes da democracia, decidir dos destinos da cidade?
Porque surgem estes sofistas/pedagogos/escravos da nomenclatura política, a anunciar que o povo vai ser chamado a votar em Maio ou Junho ??Porque assume a comunicação social esse papel de 2º poder, influenciando tão duramente a opinião pública de maneira a criar nela uma ideia que a vincule a um comportamento?
Se os meios justificam os fins, neste jogo de difícil equilíbrio cívico em que a cidadania é constantemente atraiçoada pela discrepância de métodos, por parte desses parceiros, neste tabuleiro, que se destruam as regras do jogo e partamos todos para a desobediência.
A Objecto nobre da democracia está ameaçado. A clientela do poder perfila-se. O povo chora e sofre. Por mim, não voto, para já…
